James correu até o círculo, seguido por Ralph.
– É tarde, as filhas de Charlotte terão de cumprir seus destinos. – disse a voz de Emily, interpretada por Jennifer.
– Qual é o destino delas?
– Enfrentar as criaturas más, que acabaram com metade da família Charlotte. Podemos localizar onde as filhas de Charlotte estão, mas apenas um terá a permissão do portal.
– Vai você – disse Ralph, com a voz triste – Você que gosta dela e tudo.
James olhou para Ralph, que confirmou a cabeça, e então deu um passo a frente.
Jennifer e Katarine juntaram as duas mãos, e começaram então, o feitiço.
“quod aperit portam, quae preater filias Charlotte” elas diziam.
– E como faço para sair? – perguntou James no meio do feitiço
– Você tem trinta minutos até que o arco se feche completamente. Mas apenas uma é possibilitada de atravessá-lo, a segunda fica presa lá para sempre. – disse Mary voltando a pronunciar o feitiço
Abria-se então, um arco enorme, em que gigantes podiam passar. James observou materializar-se diante de si e, sem medo, atravessou-o.
Agora o que estava a frente de um lugar muito quente, quase insuportável. Mas não havia sequer fogo ali perto. Era um lugar escuro, um túnel inocentemente grande. Realmente, ali era algo tão grande, mas tão grande que dois gigantes montados um em cima do outro ainda poderiam fazer com que sobrasse espaço. James esqueceu-se completamente que tinha, ali, uma missão. Olhou para os lados, havia várias entradas gigantes abertas.
Pode-se então ouvir o grito de uma menina de um túnel ao meio. James não tardou de seguir naquela direção – tinha total certeza que era Anabelle – não se importando com o calor.
Não passou nem trinta segundos e ali havia uma garota parada, encostada na “parede” do túnel redondo junto com outra que se escondia atrás de sua perna, e chegava até o joelho da maior. James logo notou que eram Anabelle e Michelle se escondendo de alguma coisa. Ao ouvirem os passos de James, viraram-se; Michelle chorando e Anabelle ofegando, assustada.
– Ana. – disse James, correndo até ela. Ela levou o dedo a sua própria boca, fazendo sinal para que ele se silencia-se e apontou para seu lado, que cabia mais uma pessoa.
James rapidamente se escondeu, querendo saber do que ou porque estavam se escondendo.
– Precisamos sair daqui, só temos trinta minutos. Não estamos muito longe do portal, é só... – sussurrou James
– James! – respondeu Anabelle num sussurro mais baixo ainda. – Temos que despistar ele primeiro.
– Eu tenho um plano melhor. – e sem demorar, James pegou a mão de Anabelle e correu desesperado para o fim do túnel. Lá estava ali, o portal completamente aberto.
– Muito fácil – disse Anabelle olhando para os lados.
– Anabelle – gritou uma voz masculina fraca, parecida com a do pai da menina. Ela se virou e se deparou com seu pai todo machucado, se arrastando até o pé da menina.
– Pai? – disse ela duvidando.
– Precisa me ajudar, por favor, ajude-me! – implorou o homem, com a voz cada vez mais fraca.
A menina rapidamente se dirigiu ao homem com uma cara de dúvida, afinal, o que seu pai fazia naquele lugar infernal?
Ele levantou os olhos para a menina, e assim que chegara e o colocara de pé, ele simplesmente evaporou, virou poeira. A menina olhou para James e Michelle, os dois querendo saber o que havia acontecido ali. Mas então, a poeira se levantou, sem ajuda de nada. Formou uma criatura medonha, sem nariz, nem olhos e nem boca. Mas estava longe de ser algum demônio. Parecia a filha do demônio, com certeza era alguma menina. Possuía o cabelo preto, a pele era um vermelho acinzentado, cheio de rugas e quase descascando. Seus olhos eram brancos, suas pupilas cinza e possuía também um sorriso de puro desdém sobre a filha de Charlotte, e esta a olhava com puro desentendimento e medo. James empurrou Anabelle para trás, pronto para lutar com aquele monstro.
– Não seja atônito – disse a voz do monstro feminino. Ao contrário do demônio, possuía sua própria voz; fina, forte e medonha. Lembrava a todos alguma cobra qualquer. – Deixe as filhas de a tola Charlotte enfrentarem seu destino e não quebre seu coração outra vez.
– Cale sua boca! – gritou James, empurrando a filha do demônio para direto ao chão – Não é o destino delas, sua estúpida! Ite in ignem
No instante seguinte, a filha do demônio estava muito próxima a cair num poço profundo que se formara ao seu lado. Não de água, e sim de fogo. Olhou desdenhosa para o menino, sorrindo maliciosamente. Tocou com a ponta do seu dedo indicador direito ao fogo, e então, seus olhos atribuíram uma cor vermelha-vinho, que lembrava muito os olhos de algum vampiro. Correu em direção ao James, olhou diretamente para seu braço e dali se pode ver um corte profundo se abrindo. Seria essa filha do demônio bruxa também?
Michelle segurou a mão da irmã com uma força inacreditável para alguém de dois anos. “Tranzi soror sororis. Tranzi soror sororis. Tranzi soror sororis”. Anabelle sentiu uma força extremamente sobrenatural vindo para si, parecia sua magia voltando. Olhou confusa para sua irmã que continuava a pronunciar as mesmas palavras. Parou, olhou para a irmã mais velha e lhe esboçou um sorriso que fora retribuído com tal sinceridade.
– An-a. – disse James que parecia sem ar. Anabelle rapidamente olhou, ele estava sendo enforcado
– Ire. Bonum semper cladis malum.
A criatura foi puxada para trás, balançada e jogada no chão. Anabelle correu até James que ofegava. Anabelle levou sua mão até Michelle, que flutuou e passou pelo portal. Antes que Anabelle e James pudessem ter sua mesma chance, a criatura materializou-se como alguma espécie de dragão. Na verdade era uma criatura toda feita de chamas. Sua pele era marrom, parecia estar viva, se mexia o tempo todo. Seus olhos eram puro fogo, tinha dois chifres e sua altura ia até o teto daquele túnel enorme. James consultou o relógio. Eles só tinham 15 minutos agora.
Anabelle esticou o dedo para a criatura, e este soltou um jarro de água suficientemente alto para “apagar” as chamas daquela criatura. Foi empurrando James até o portal, parados por apenas três succa-maleum. Enquanto Anabelle apagava a criatura e restaurava a filha do demônio, James cuidava das três aranhas que tentavam mordê-lo. Apenas com movimentos nas mãos, todas viravam apenas uma poça de água.
A criatura gigante foi se abaixando, e virou novamente a filha do demônio. A mesma criou tanta raiva que sua pele agora se tornara um azul bebê. Seus cabelos agora eram completamente brancos e brilhantes. Havia mudado completamente de aparência física, a não ser pela pele enrugada e desgastada. Parecia que agora era imune á água.
– Vá para o portal, eu fico aqui. – disse James afastando Anabelle da filha do demônio.
– Não, não, nem pensar. – disse a menina, decidida – Agora que minha magia voltou, eu não vou ficar apenas vendo você me defender.
– ANABELLE! NÃO ME OBRIGUE A USAR MAGIA CONTRA VOCÊ. VÁ PARA O PORTAL IMEDIATAMENTE.
Anabelle possuía uma cara de pouco medo, olhava para James, séria. Ficou ali parada.
James empurrou a menina para o lado, levou uma mão á sua frente e algo parecia empurrá-la para o portal, querendo ela ou não. Finalmente entrara no portal, deixando James ali, sozinho.
– Tudo isso por uma garota? – disse o monstro feminino calmo, olhando para James com desdém.
– Se quer me matar, anda, me mate. Mas eu não vou deixar que faça alguma coisa com ela.
– Seu tolo! Não queremos matar você, você é nossa isca.
E assim, levou o garoto á força para o túnel do meio.
Anabelle atravessou o portal, e se encontrou novamente naquela floresta escura, com apenas uma luz do fogo. Todos a olhavam atentamente.
– Ele ficou lá, quis me salvar, e não quis vir. – disse ela, completamente abalada.
ta demorando tanto assim por que?
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