segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Capitulo 5 - Por enquanto.

            James correu até o círculo, seguido por Ralph.
            – É tarde, as filhas de Charlotte terão de cumprir seus destinos. – disse a voz de Emily, interpretada por Jennifer.
            – Qual é o destino delas?
            – Enfrentar as criaturas más, que acabaram com metade da família Charlotte. Podemos localizar onde as filhas de Charlotte estão, mas apenas um terá a permissão do portal.
            – Vai você – disse Ralph, com a voz triste – Você que gosta dela e tudo.
            James olhou para Ralph, que confirmou a cabeça, e então deu um passo a frente.
            Jennifer e Katarine juntaram as duas mãos, e começaram então, o feitiço.
            “quod aperit portam, quae preater filias Charlotte” elas diziam.
            – E como faço para sair? – perguntou James no meio do feitiço
            – Você tem trinta minutos até que o arco se feche completamente. Mas apenas uma é possibilitada de atravessá-lo, a segunda fica presa lá para sempre. – disse Mary voltando a pronunciar o feitiço
Abria-se então, um arco enorme, em que gigantes podiam passar. James observou materializar-se diante de si e, sem medo, atravessou-o.
Agora o que estava a frente de um lugar muito quente, quase insuportável. Mas não havia sequer fogo ali perto. Era um lugar escuro, um túnel inocentemente grande. Realmente, ali era algo tão grande, mas tão grande que dois gigantes montados um em cima do outro ainda poderiam fazer com que sobrasse espaço. James esqueceu-se completamente que tinha, ali, uma missão. Olhou para os lados, havia várias entradas gigantes abertas.
Pode-se então ouvir o grito de uma menina de um túnel ao meio. James não tardou de seguir naquela direção – tinha total certeza que era Anabelle – não se importando com o calor.
            Não passou nem trinta segundos e ali havia uma garota parada, encostada na “parede” do túnel redondo junto com outra que se escondia atrás de sua perna, e chegava até o joelho da maior. James logo notou que eram Anabelle e Michelle se escondendo de alguma coisa. Ao ouvirem os passos de James, viraram-se; Michelle chorando e Anabelle ofegando, assustada.
            – Ana. – disse James, correndo até ela. Ela levou o dedo a sua própria boca, fazendo sinal para que ele se silencia-se e apontou para seu lado, que cabia mais uma pessoa.
            James rapidamente se escondeu, querendo saber do que ou porque estavam se escondendo.
            – Precisamos sair daqui, só temos trinta minutos. Não estamos muito longe do portal, é só... – sussurrou James
            – James! – respondeu Anabelle num sussurro mais baixo ainda. – Temos que despistar ele primeiro.
            – Eu tenho um plano melhor. – e sem demorar, James pegou a mão de Anabelle e correu desesperado para o fim do túnel. Lá estava ali, o portal completamente aberto.
            – Muito fácil – disse Anabelle olhando para os lados.
            – Anabelle – gritou uma voz masculina fraca, parecida com a do pai da menina. Ela se virou e se deparou com seu pai todo machucado, se arrastando até o pé da menina.
            – Pai? – disse ela duvidando.
            – Precisa me ajudar, por favor, ajude-me! – implorou o homem, com a voz cada vez mais fraca.
            A menina rapidamente se dirigiu ao homem com uma cara de dúvida, afinal, o que seu pai fazia naquele lugar infernal?
            Ele levantou os olhos para a menina, e assim que chegara e o colocara de pé, ele simplesmente evaporou, virou poeira. A menina olhou para James e Michelle, os dois querendo saber o que havia acontecido ali. Mas então, a poeira se levantou, sem ajuda de nada. Formou uma criatura medonha, sem nariz, nem olhos e nem boca. Mas estava longe de ser algum demônio. Parecia a filha do demônio, com certeza era alguma menina. Possuía o cabelo preto, a pele era um vermelho acinzentado, cheio de rugas e quase descascando. Seus olhos eram brancos, suas pupilas cinza e possuía também um sorriso de puro desdém sobre a filha de Charlotte, e esta a olhava com puro desentendimento e medo. James empurrou Anabelle para trás, pronto para lutar com aquele monstro.
            – Não seja atônito – disse a voz do monstro feminino. Ao contrário do demônio, possuía sua própria voz; fina, forte e medonha. Lembrava a todos alguma cobra qualquer. – Deixe as filhas de a tola Charlotte enfrentarem seu destino e não quebre seu coração outra vez.
            – Cale sua boca! – gritou James, empurrando a filha do demônio para direto ao chão – Não é o destino delas, sua estúpida! Ite in ignem
            No instante seguinte, a filha do demônio estava muito próxima a cair num poço profundo que se formara ao seu lado. Não de água, e sim de fogo. Olhou desdenhosa para o menino, sorrindo maliciosamente. Tocou com a ponta do seu dedo indicador direito ao fogo, e então, seus olhos atribuíram uma cor vermelha-vinho, que lembrava muito os olhos de algum vampiro. Correu em direção ao James, olhou diretamente para seu braço e dali se pode ver um corte profundo se abrindo. Seria essa filha do demônio bruxa também?
            Michelle segurou a mão da irmã com uma força inacreditável para alguém de dois anos. “Tranzi soror sororis. Tranzi soror sororis. Tranzi soror sororis”. Anabelle sentiu uma força extremamente sobrenatural vindo para si, parecia sua magia voltando. Olhou confusa para sua irmã que continuava a pronunciar as mesmas palavras. Parou, olhou para a irmã mais velha e lhe esboçou um sorriso que fora retribuído com tal sinceridade.
            – An-a. – disse James que parecia sem ar. Anabelle rapidamente olhou, ele estava sendo enforcado
Ire. Bonum semper cladis malum.
A criatura foi puxada para trás, balançada e jogada no chão. Anabelle correu até James que ofegava. Anabelle levou sua mão até Michelle, que flutuou e passou pelo portal. Antes que Anabelle e James pudessem ter sua mesma chance, a criatura materializou-se como alguma espécie de dragão. Na verdade era uma criatura toda feita de chamas. Sua pele era marrom, parecia estar viva, se mexia o tempo todo. Seus olhos eram puro fogo, tinha dois chifres e sua altura ia até o teto daquele túnel enorme. James consultou o relógio. Eles só tinham 15 minutos agora.
Anabelle esticou o dedo para a criatura, e este soltou um jarro de água suficientemente alto para “apagar” as chamas daquela criatura. Foi empurrando James até o portal, parados por apenas três succa-maleum. Enquanto Anabelle apagava a criatura e restaurava a filha do demônio, James cuidava das três aranhas que tentavam mordê-lo. Apenas com movimentos nas mãos, todas viravam apenas uma poça de água.
A criatura gigante foi se abaixando, e virou novamente a filha do demônio. A mesma criou tanta raiva que sua pele agora se tornara um azul bebê. Seus cabelos agora eram completamente brancos e brilhantes. Havia mudado completamente de aparência física, a não ser pela pele enrugada e desgastada. Parecia que agora era imune á água.
– Vá para o portal, eu fico aqui. – disse James afastando Anabelle da filha do demônio.
– Não, não, nem pensar. – disse a menina, decidida – Agora que minha magia voltou, eu não vou ficar apenas vendo você me defender.
– ANABELLE! NÃO ME OBRIGUE A USAR MAGIA CONTRA VOCÊ. VÁ PARA O PORTAL IMEDIATAMENTE.
Anabelle possuía uma cara de pouco medo, olhava para James, séria. Ficou ali parada.
James empurrou a menina para o lado, levou uma mão á sua frente e algo parecia empurrá-la para o portal, querendo ela ou não. Finalmente entrara no portal, deixando James ali, sozinho.
– Tudo isso por uma garota? – disse o monstro feminino calmo, olhando para James com desdém.
– Se quer me matar, anda, me mate. Mas eu não vou deixar que faça alguma coisa com ela.
– Seu tolo! Não queremos matar você, você é nossa isca.
E assim, levou o garoto á força para o túnel do meio.
Anabelle atravessou o portal, e se encontrou novamente naquela floresta escura, com apenas uma luz do fogo. Todos a olhavam atentamente.
– Ele ficou lá, quis me salvar, e não quis vir. – disse ela, completamente abalada.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Capitulo 4 - De volta para o início.

Ana, mesmo morrendo de dor, pulou da janela observando a silhueta do demônio, iluminado por apenas algumas luzes da rua. Podia se observar a menina no seu colo que agora, inconsciente, balançava de lá para cá.
Não demorou a que pudesse se ouvir novos pulos da janela, perseguindo Ana, que já estava bem adiante. Primeiro, segundo, terceiro, quarto pulo. James, Emily, Mary e Ralph já haviam pulado e agora perseguiam Ana que perseguia sem medo o demônio.
– Belle, me salve desse monstro horrível! – gritou a voz de Michelle vinda da boca do demônio. Era tão real.
Cadent in terram. – uma voz vinda da escuridão, desconhecida, falara essas palavras e segundos depois o monstro caíra no chão. Quem via de longe poderia achar que havia uma pedra invisível no caminho em que corriam.
Ana não tardou. Nervosa, a menina correra até o monstro que ainda estava se levantando.
Inesperadamente, a mão – ou o que parecia ser a mão – do monstro pegou o braço da pequena Michelle ainda inconsciente e, segundos depois, desaparecera dali mostrando um sorriso maligno para todos que o observavam.
Aquilo que havia feito o monstro cair no chão fugira tão depressa que tudo que se pode ouvir eram seus passos correndo. Ninguém notara quem era.
– O que eu faço agora? – disse Anabelle, desabando no chão. – Ele levou minha irmã.
– Ele não vai fazer nada com ela enquanto souber que ela é sua isca. É você que ele quer Ana. – disse Ralph agachando-se ao lado da menina. – Não sua irmã.
– Ele pode maltratar ela, não pode? Eu preciso achar ela, eu preciso. – disse a garota, desconsolada.
Mary, Emily e James agacharam-se também, formando, então, uma roda em volta de Anabelle.
                – Nós vamos achar ela Belle, eu prometo. – disse James, com piedade em seu olhar. – Vem...vamos voltar para a sua casa.
            – Não...ela vai voltar, eu tenho que esperar ela aqui. Não posso ir... – respondeu a garota, com uma voz sonolenta, cansada.
            – O que está acontecendo? Por que ela ta tão cansada? – perguntou Mary olhando para todos.           
            – Provavelmente...Miche está usando os poderes dela, para alguma coisa muito forte. Ana! Ana! – disse o garoto, observando que a garota dormira. – Precisa manter-se acordada, ver se acha alguma pista de sua irmã.
            Ana abriu os olhos, continuava sonolenta.
            – Uma floresta. – falou a menina. Parecia citar o que via a sua frente. – Ali está o monstro, na floresta. Uma floresta perto daqui. Aquele bruxo que fez o monstro cair...ele...está na floresta... – a menina foi perdendo a voz – tem um círculo de fogo...
            Ralph pegou a menina no colo e foi o primeiro a seguir para a floresta. James o parou.        
            – Não podemos levar a Ana! E se ele fizer alguma coisa com ela?           Está fraca demais até para andar!
            – Se alguma magia acontecer com a Miche, a Ana vai ser a única capaz de desfazer isso e você sabe! Temos que levar ela.
            James bufou. Obviamente não achava uma boa ideia, mas sabia que o amigo estava certo quanto á magia. Ralph observara que ganhara a discussão e continuou seu caminho para a floresta. Emily e Mary, de mãos dadas, pareciam fazer algum ritual, alguma coisa que transmitia energia de uma para outra, fazendo ambas fortes.
            Já estava meio caminho quando puderam ouvir, até de longe, gritos de uma menininha de dois anos perdida, assustada, com medo.
            Sem pensar duas vezes, seguiram o rumo da origem do grito, Ralph segurando Anabelle – que ainda sim dormia –, James ao lado deles, observando Ana e Emily e Mary logo atrás, olhando para todos os lados, de mãos dadas.
            Finalmente chegaram. Um círculo formado por tochas, todas acesas com um fogo incrivelmente bonito dava luz ao local. Michelle se encontrava ali, parada, parecia hipnotizada. Olhou para os dois lados e percebeu a chegada do grupo, e então voltou sua cabeça para frente, indiferente. O demônio de repente chegara até onde a luz do fogo poderia localizá-lo. Observou a menina para lá e para cá, parecia esperar que alguma coisa acontecesse.
            A menina ergueu a mão para o fogo, ele pareceu se materializar. Alguma criatura apareceu ali, mas foi desmanchando, formando uma verdadeira roda de fogo.
            Anabelle gritou.
            O demônio, que aparentemente não tinha nenhum alvo para mexer com seus medos, seguiu da onde vinha o grito da menina. Ralph correu para o lado, seguido pelo grupo. Teria sido um sucesso, a não ser pelos barulhos que cada passo fazia.
            Agora Michelle gritara. Anabelle acordou repentinamente, parecia que toda sua energia havia voltado, a menina acordou com tal energia que caíra do colo de Ralph, provocando outro barulho. Não tardou a levantar, por mais que estivesse confusa de que lugar era aquele, ou o que estava fazendo ali. Michelle se encontrava, então, deitada no chão. Parecia ter desmaiado.
            – Miche – Anabelle correu em direção ao círculo do fogo, e só parou quando a menina novamente se levantou. Já estava em completa visão, a poucos passos do círculo. O demônio apareceu ali, satisfeito com a isca perfeita.
            – Vamos, Belle, entre no circulo! Salve sua querida irmã – ele possuía a mesma voz de Michelle, aparentemente não possuía voz própria.
            Ralph correu em direção á Ana, seguido por James. Apenas Emily e Mary ficaram ali, paradas. Tramavam algum plano, mas não se podia saber exatamente o que.
            Para a surpresa da maioria, Jack aparecera ali, com a boca sangrando por inteira.
            – Ora, se não é o vampiro salva-vidas. Fiquei sabendo que agora tem atacado humanos, Jack. Duvido que seu irmão fosse gostar – ele possuía uma voz de um rapaz de aparentemente 18 ou 19 anos, mas bem maduro. – se te visse assim, atacando tudo que vê pela frente.
            – Cala a boca, chupa-dedo. – retorquiu o homem, morrendo de raiva.
            – Vamos todos ser calmos aqui, sim? – disse o demônio – Jack, por que se preocupa em salvar a vida dos outros? Já que não salvou a do seu irmão...
            Antes de terminar a frase, Jack já estava em sua frente, e chutou onde, na maioria das pessoas, ficava algo intimo.
            – JACK! – gritou James, que parecia um tanto ocupado. – SAIA DAÍ ANTES QUE ELE SE LEVANTE.
            – Não tenho medo da morte, Jamesinho! – falou o homem, olhando com tanta fúria para o demônio que seu rosto ficara vermelho.
            – Belle! – gritou a voz da irmã mais nova de Anabelle. Dessa vez era realmente a menina. Ela parecia chorar, mas ao em vez de lágrimas, aquilo era sangue.
            Ana, ao perceber isso, correu para o círculo, e apenas parou quando uma enorme parede pareceu se materializar ali, impedindo que Ana atravessasse. A menina recuou e a parede desmoronou.
            – Miche, fique...fique calma. Vamos te tirar daí!
            O demônio levantara, agora possuía nada mais que uma cabeça que queimava, mas sem causar nenhuma dor. Parecia que a fúria era enorme.
            Não tardou que Anabelle entendesse o que aquilo era. Se alguém machucava o demônio, ele ficava duas vezes pior que em seu estado normal. 
            Mary e Emily finalmente saíram das sombras. Pareciam possuídas, estavam tão sérias, como se nada ali acontecesse.
            O demônio hesitou, parecia o único a entender as coisas por ali.
            – Mary? Emily? – disse James confuso.
            Nenhuma delas olhou.
            – Katarine? Jennifer?
            As duas olharam por alguns segundos, e voltaram a direção para o demônio. Agora se aproximavam mais e mais dele, ele com a mesma fúria e cabeça pegando fogo.
            Mary – ou Katarine – apontou a mão para o círculo, sem tirar os olhos do demônio. Segundos depois, se materializou uma porta aberta. Anabelle, sem exigir explicações, entrou no círculo não sendo detida por nada. A porta se fechou. Mary simplesmente parou a magia. Emily – ou Jennifer – colocou a mão no ar, fechou-a e de repente um círculo de fogo prendia todos ali dentro. Ninguém entra ninguém sai.  
            Jack recuava enquanto Mary e Emily se aproximavam do demônio. Parecia que se ele ficasse perto delas, alguma coisa bem feia poderia acontecer. De repente, as duas pararam. Fixaram no demônio, que parecia congelado, com muito medo. O monstro então sentiu sua cabeça explodir, começara a gritar, mudando de voz, era uma coisa extremamente irritante de se ouvir. Ele sofria, estava em seus olhos. Agora os olhos ficavam pretos, o animal todo perdera o “fogo” que havia em si. Sua dor passara, ele se ajoelhara para Mary e Emily, ambas com um olhar de puro desdém e ódio.
            – Não vai ser tão fácil assim, vocês vão ver. – disse o demônio interpretando uma voz masculina que lembrava algum pai tão, mais tão rigoroso que dava ódio só em ouvir sua voz. – e, num ato de rapidez, ele pulara para dentro do círculo. – O que devo fazer com vocês, huh? – disse ele, ainda com a voz rigorosa. – Duas filhas de Charlotte. Devem vir comigo, é claro.
            Ninguém entra ninguém sai. Nem mesmo Katarine ou Jennifer foram capazes de entrar no círculo, era muito tempo para desfazê-lo, e uma vez que a porta já havia se fechado, não havia tempo suficiente. No piscar de olhos, não havia mais nenhuma filha de Charlotte e nenhum monstro. Haviam perdido o alvo, e dado de brinde mais dois para o demônio.

domingo, 6 de novembro de 2011

Capitulo 3 - O demônio.

                As gotas caiam, cada vez mais rapidamente.
            – O sótão. – disse James olhando para Anabelle apreensivo. – O que você viu lá era mesmo um demônio?
            – Das criaturas que eu conheço. – respondeu como se fosse óbvio.
            – Ana, leve sua irmã para a casa de Emily e diga para Ralph vir aqui imediatamente.
            Sem falar nada, a menina se apressou a pegar sua irmã, e segundos depois – ou assim pareceu – já estava no quarto de Emily, onde festejavam a morte de Succa-Maleum
            – Ralph, James pediu para ir até o sótão da minha casa, agora. – disse ela fingindo não notar que estragara a “festa” no quarto.
            – Claro, já estou indo. – disse o garoto indo para a porta e fazendo menção de Anabelle ir para dentro – Não saiam desse quarto, por nada nesse mundo. – fechou a porta e saiu.
            Michelle parara de gritar e chorar, agora só mostrava uma cara de medo, assustada, olhando para a irmã.
            – Calma, Miche, está tudo bem agora. Pode me dizer por que começou a gritar?
            – Eu vi mamãe. – disse a garota tristemente. – estava cheia de cortes pelo corpo e tinha sangue.
            – Mas mamãe está viajando, lembra? Como pode ter visto ela?
            – Eu não sei, Belle. Ela só estava lá – respondeu inocentemente.
            Anabelle olhou para Mary e Emily, as duas apreensivas e, aparentemente, com muito medo.
            – Tudo bem, está tudo bem, ok? – e a garota, por fim, abraçou a irmã que se encolhera em seu colo.
            Mary apressara-se a sair do quarto e verificar o que acontecera, mas Emily rapidamente a impedira.
            – Lembra o que Ralph disse? Que não devíamos sair daqui. É melhor ficar, ainda não sabemos magia o suficiente para nos protegermos. E proteger as duas – e por fim, apontou com a cabeça para Anabelle e Michelle.
            – Eu quero saber o que aconteceu lá, eu não sei magia para proteger todas nós, mas sei para mim mesma. – respondeu Mary, decidida. E antes que Emily respirasse, saiu do quarto. Emily seguiu-a.
            – Onde elas foram? – perguntou Michelle olhando para a porta aberta.
            – Foram ajudar Ralph e James. Temos que ficar aqui está bem?
            A menina confirmou com a cabeça. Por fora, Ana lhe mostrava um sorriso como quem diz “tudo vai ficar bem”, mas por dentro, a garota congelava de medo, afinal, não teria muito de fazer sem seus poderes. E sua irmã não sabia usá-los.  
            Começou a rezar baixinho. Sempre acreditara na bondade que o mundo tinha, até em momentos mais escuros.
            “Pai Nosso, que estais no céu, santificado seja vosso nome, tenha vós o nosso reino, seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu, o pão nosso de cada dia nos dai hoje, perdoai as nossas ofensas, assim como nós perdoamos aqueles que vos tem ofendido, e não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal, Amém.”
            Alguma coisa aconteceu. Alguma coisa estranha, bonita. Faíscas brancas pareciam tomar conta da casa. Uma criatura gritara, e saíra da casa correndo. Não era um humano, parecia o mesmo que havia no sótão. Alguém muito claro, que parecia na paz, aparecera entrando no quarto.
            – Mamãe? – disse Anabelle extremamente confusa – Por que está toda de branco, assim? O que aconteceu? Quando voltou da viagem?
            A mulher apenas sorriu, acenou como uma despedida e disse “Eu amo vocês duas”. Anabelle entendeu. Michelle ainda parecia muito confusa.
            – Eu também te amo, mãe. – disse Ana com lágrimas nos olhos.
            Lentamente, ela ia sumindo. Pode-se, por fim, ouvir um “Protegerei vocês, é uma promessa de bruxa para bruxa” antes de vê-la sumir completamente.
            – O que aconteceu? Cadê a mamãe? – perguntou Michelle
            – Encontrou paz, Miche. Ela...voltou a viajar.
            Ralph, Mary, Emily e James apareceram na porta, aparentemente estavam correndo.
            – O que aconteceu lá?
            – Foi...depois eu te conto – disse James olhando para Michelle. – O que aconteceu aqui?
            – Aparentemente o demônio ou alguma criatura maligna no tamanho de um humano estava pronto para me atacar até minha mãe chegar aqui. Ele saiu correndo, alguma coisa assim.
            – Mas sua mãe... – começou Mary aos prantos
            – Eu sei...eu sei. Pelo menos pude dizer adeus á ela. – disse a garota tomando cuidado com suas palavras – Agora que ela foi viajar...por um longo tempo.
            Maryane, Emily e Anabelle, todas com lágrimas nos olhos, acharam melhor melhorar o clima.
            – Esta ficando escuro, eu vou ficar lá em casa com a Miche...meu pai vai me matar se me ver fora de casa – disse Anabelle, com a voz baixa – se eu precisar de alguma coisa eu chamo alguém.
            – Ana...não está segura para ficar sozinha. Esses dias você dormiu sempre na casa de alguém... – falou Ralph
            – Eu vou estar protegida – interrompeu-o Ana, irritada – Eu sei disso.
            E saiu, carregando Michelle no colo, atropelando todos a sua frente.
            – Ela não sabe que o mal existe também? Alguém precisa ficar de olho nela.
            Todos olharam para James. Aparentemente esperavam que ele dissesse algo do tipo “Eu cuido dela” ou “Deixem isso comigo”, mas o garoto apenas olhou confuso, dizendo na verdade “O que foi?”
            – Você vai pedir para ficar de olho nela, não vai?
            – Eu só tinha pensado nisso...não ia falar.
            – O.k, mas James, por favor, você precisa ter cuidado. Elas dormem em quartos separados e você precisa cuidar das duas.
            – Eu o ajudo, ele não pode cuidar de duas garotas inocentes, sozinho – disse Ralph recebendo um olhar de “obrigado” de James.
            – Ótimo, mas, por favor, se precisarem de QUALQUER coisa nos chamem, entenderam?
            Os meninos confirmaram com a cabeça, e seguiram até a casa de Emily.
            Ralph ia entrando pela porta da frente, sem ser meramente discreto, mas foi puxado por James.
            – O que acha que ela vai dizer se nos vir entrando pela casa assim, sem mais nem menos?
            – Certo...vamos escalar a arvore que dá até a janela dela. Então, nós abrimos a janela com magia, sem fazer barulho, e eu vou ver Michelle e você toma conta da Anabelle.
            – Ok, ok, anda logo.
            Ralph foi o primeiro a escalar a árvore, seguido de James.
            O quarto de Anabelle estava escuro, aparentemente alguém que dormira e esquecera-se de fechar as cortinas. Mas olhando a cama, estava totalmente arrumada, e podia se vir uma garota ali chorando baixinho olhando pela janela o luar.
            – Ela está acordada – sussurrou Ralph – Como vamos fazer?
            – Deixe isso comigo. – e antes de raciocinar algum dos ruídos da voz de Ralph, James fora em direção a janela que a menina não estava olhando, e batera de leve nela.
            Anabelle olhou, secou as lágrimas e abrira a janela, rápida e alegremente.
            – O que faz aqui, James? Eu disse que estaria segura.
            – Eu só quero que esteja ainda mais, Ana. Posso dormir aqui hoje?
            – E seus pais? Não vão estranhar?
            – Não, eles sabem exatamente o que eu estou fazendo, só preciso avisá-los que estou bem de quando em quando.
            – Uau. E os pais de Ralph? – disse a garota que observara o menino na árvore. – Também sabem disso?
            – Os pais dele, ahm...morreram. – disse o garoto, parecendo que soltou o diabo. – Ele tenta continuar vivendo, não quer arruinar a vida, sabe? Mas sei que é difícil. Ele vive comigo, somos praticamente irmãos. 
            A garota olhou para baixo, desejando que alguma coisa quebrasse o gelo da situação.
            – Sobre aquilo no sótão... – começou James
            – Não, tudo bem. – interrompeu a menina – eu...é que...não pareceu...o momento certo. Não pareceu certo. Em todos esses problemas, é só que...você consegue me entender?
            – Tudo bem...entendi. Ei, Ralph vai ficar vigiando sua irmã, está bem?
            Ralph entrara no quarto, fingindo um sorriso no rosto. Era obvio que não era verdadeiro, estava na cara.
            – Ralph... – começou Anabelle – sinto muito.
            Entendendo como o garoto se sentia, abraçou-o, sentindo algumas lágrimas caírem quando retribuiu seu abraço.
            – Sua mãe encontrou paz, ela é um anjo agora, literalmente. Por isso você pôde vê-la, Ana. – disse o rapaz terminando de abraçá-la – É como se ela tivesse terminado todos os deveres na terra, entende? É muito complexo. Mas meus pais não. Eles não terminaram o que tinham de fazer aqui...eu não consigo encontrar eles. E acho que nunca conseguirei.
            – Ei, eles estão com você, está bem? Não preciso dizer onde, você sabe. Confie em mim.
            – Eu venho tentado falar isso a ele faz anos, e nunca exatamente entendeu. – interrompeu James
            Ralph riu de leve, parecia ter entendido o recado. Sorriu em agradecimento para Anabelle que retribuiu do mesmo modo.
            “BELLEEEEEEEEE!” gritou a voz de Michelle do seu quarto, apavorada. Ana virou a cabeça tão rapidamente que pareceu que ia deslocar. Correu para o quarto da irmã e se deparou com uma miniatura de sua forma quando o demônio entrou em seu corpo.
            – FAÇAM ALGUMA COISA, AGORA! – berrou a irmã mais velha ao ver sua pequena irmãzinha naquele estado, dentro do berço.
            Podiam-se ouvir as duas vozes trabalhando juntas no mesmo feitiço que James usara para tirar o demônio de Anabelle: “Get rid of malum ivenitur spei”. Após repetirem três vezes, Michelle voltara ao normal.
            Anabelle correu em direção a Michelle, mas alguma coisa estava a sua frente, invisível, mas que parecia ser alguma coisa sólida.
            Ana fez menção de colocar a mão nisso que era sólido mas invisível, segundos antes de irem aparecendo partes dessa coisa, dos pés, depois para a coxa, a barriga, o peito, e diretamente com o pescoço, a cabeça. Não era um humano, passava longe de ser. Sua cabeça era monstruosa, alguma coisa que assustava crianças. Não possuía nariz nem boca, muito menos olhos. Era o formato de uma cabeça humana, com lugar para a boca, para o nariz e para os olhos, mas sem nada. Era tão “vazio” que dava um medo enorme. Parecia uma criatura feita de pano, mas antes de chegar a conclusão que seria mesmo de pano, foi se transformando em uma pele de cobra, com cor de pele normal. Finalmente os olhos iam aparecendo. Ao em vez de um olho normal, a esclerótica era vermelha, como se todas as veias do olho haviam estourado, e suas íris eram em baixo vermelho, no meio laranja e em cima amarelo, representando as cores do fogo. A boca tinha formato como se fosse de alguém morto. Os lábios eram cinza, os dentes todos pontudos e amarelos. Apenas seu nariz aparentava ser alguma coisa normal.
            – ANA! – gritou James, antes de entrar no quarto e puxar a garota para fora – É um demônio, Ana!
            – MINHA IRMÃ ESTÁ ALI! – gritou, voltando para o quarto, á frente de Ralph e James
            – Você é estúpida, Belle. – disse a voz do demônio, uma voz igualzinha a de sua irmã – Você nunca vai conseguir me salvar, Belle. Nunca foi uma boa irmã! Sua idiota!
            – Michelle? – gritou a garota, que aparentemente achou, por um momento, que era mesmo sua irmã falando.
            – Não, você não vai mexer com os medos dela, eu não vou deixar. – berrou James, fazendo o demônio virar-se para ele.
            – Seu tolo. – disse o demônio, que agora interpretava a voz de uma garota, aparentemente de quartorze anos – Desista agora e você não vai precisar morrer para salvar a vida de outra garota que não te quer.
            James pareceu desabar. Anabelle pareceu confusa, já Ralph olhou para James com um tanto de piedade.
            – Ele está MENTINDO! – disse Ralph correndo até James que parecia desconsolado.
            Agora o demônio virara para Ralph, Ana tinha certeza de que voz ele iria interpretar.
            – Filho ingrato! Eu morri por você, e não faz nada em troca. – disse uma voz masculina, que parecia de alguém extremamente simpático – Não sabe quanto eu e sua mãe batalhamos para ver você bem, e olhe em que buraco foi parar.
            Anabelle, discretamente, pegou seu celular e ligou para o número de Emily, e deixou o celular no chão, no viva-voz.
            – SEU TOLO! PARE DE BRINCAR COM OS SENTIMENTOS DOS OUTROS – gritou Anabelle querendo atenção do monstro
            – E você vai tentar me matar, Belle? – disse novamente a voz da irmã.
            Ana olhou para o berço, onde sua verdadeira irmã chorava em silêncio, observando a cena, tomando cuidado para que ninguém a notasse. Depois virou os olhos para Ralph e James, os dois pareciam tentar esquecer o maior medo de suas vidas.
            Obviamente, era muito real que estivesse a voz de sua irmã ali.
            – Ana, não dê atenção a o que ele diz, entendeu? – disse James olhando para Ana, ainda muito abalado.
            – Olha quem fala – disse a garota com desprezo. – James, vamos, você não vai perder mais ninguém. O que ter que tenha acontecido, nunca acontece de novo. Nunca da mesma forma, nunca termina igual.  E Ralph, você sabe que seus pais nunca diriam isso a você. Eu vejo muita bondade em você, e tenho certeza que isso veio dos seus pais. Eles nunca diriam algo tão estúpido, vocês sabem disso.
            Agora, o mesmo rugido que Anabelle tinha dado naquele dia, reapareceu na voz do demônio. Ele chutara o estômago da menina e a fizera bater a cabeça na porta, depois caindo no chão.
            – Ana! – gritaram James e Ralph, ambos com muita raiva do demônio.
            Mary e Emily apareceram correndo na porta, Mary com um telefone na mão e Emily com os punhos fechados.
            O demônio as viu, e recuou completamente até bater no berço de Michelle. Virou-se, encarou a menina, que temia de medo, e então, pegara ela e colocara pelo ombro, de cabeça para baixo. Segundos depois, deparou-se aquele quarto com uma janela quebrada, um berço vazio e um ambiente sem nenhum demônio. 

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Capitulo 2 - Magia Negra

                Anabelle, Emily, Maryane, James e Ralph foram todos para um mesmo local, precisavam desvendar o porquê. Deixaram Michelle na casa de Ana e foram, então, para a casa de Emily, já que seus pais viajavam.
                Encontraram um quarto totalmente diferente do de Ana, exceto pelas três paredes pintadas de branco e a quarta de uma cor diferente. O quarto de Emily era com a cama virada para a janela, que possuía duas cortinas, uma branca e outra um tanto mais escura, parecia um azul igual a parede ao lado da janela, e lá possuía um mural, uma mesa e, por incrível que pareça, uma escada que daria a uma cama, como se fosse uma beliche. Do lado da porta de entrada havia um armário embutido na parede da cor branca.
                – Uau... – comentaram James e Ralph após observarem o enorme quarto. – você é...?
                – Rica? – interrompeu Mary – sim. Já que Emily é filha única, os dois quartos que havia ficaram todos para ela.
                – Eu não sou rica. – começou Emily, fazendo um gesto que ninguém entendera o que exatamente era.
                – Não vamos começar isso, não é? Anda, vamos sentar.
                Os meninos, que obviamente não sabiam onde, esperaram Ana, Emily e Mary sentarem-se ao tapete que havia no centro do quarto, e logo se juntaram á elas.
                – Vocês disseram que ela não possuía magia negra. Lá nunca há fogo, por menor que seja. – disse Ana revoltada.
                – E não era para possuir. Tem alguma coisa errada, eu sei. Ana, sua irmã não é adotada, é?
                – Não, nós somos parecidas, não pode ser. Meus pais teriam falado isso para mim.
                – Ah, não, não, James, por favor, me diga que não. – disse Ralph olhando seriamente para James que retribuía o olhar com mesma intensidade.
                – Não o que?
                – Ana... – começou James gaguejando – é que, s-se ela não fo-i adotada...bem...pode haver uma...uma pequena possibilida-de de que a-quele demônio que tirou seus poderes tenha-a, ahm, entra-do na sua irm-ã e colocado se-eus poderes nela.
                – O QUÊ?! – berrou Ana, se levantando olhando para James.
                – Calma Ana, calma – disse Ralph se levantando também. – Nós vamos dar um jeito. Assim que matarmos o demônio...
                – MATAR DEMÔNIO. EU NÃO POSSO DEIXAR QUE AS PESSOAS SE ARRISQUEM POR MIM DESSE JEITO. – interrompeu Ana começando a ficar vermelha.
                – Anabelle, se acalme. – disse Emily se levantando e colocando a mão no ombro de Ana. – Nós vamos nos arriscar por você, é sério.
                – Ana, quanto mais cedo matarmos o demônio, mais cedo os poderes voltam para você.
                – Eles não tinham se ajustado? –perguntou Ana acalmando-se
                – É um novo corpo. Por mais que sejam irmãs... – respondeu Ralph
                – Minha irmã não pode ficar com magia negra. Temos que matar o demônio agora, mas Emily e Mary não podem se sacrificar por mim. Não...tem que ter outro jeito.
                 Mary suspirou e levantou, olhando diretamente para Ana.
                – Nós vamos sim nós sacrificar por você. Querendo ou não.
                – Ah não, não mesmo.
                Ana abriu violentamente a porta do quarto de Emily, e saiu batendo o pé da casa.
                – Eu falo com ela. Ralph treine com elas o feitiço. – disse James saindo atrás de Ana
– E como vamos saber se ele vai funcionar? Não temos nenhum demônio para testar aqui. – disse Emily sentando-se no chão juntamente com Mary e Ralph
                – Esse feitiço consegue matar tudo, menos humanos. Vocês odeiam aranhas, certo?
                – S-sim – responderam Mary e Emily com medo.
                – Ótimo, vamos treinar com elas. – disse Ralph, segundos antes de – no meio da roda – aparecer uma grande jarra cheia de aranhas.
                Mary e Emily se afastaram.
                – Escute, o demônio é mil vezes mais assustador e mais ágil. Vocês precisam perder o medo. Quanto mais rápido matarem, melhor.  Lembram as palavras?
                As meninas confirmaram com a cabeça.
                – Muito bem, ao em vez de demônio, digam aranha.
                – O.k, solte logo essa coisa.
                Ralph riu e abriu a jarra, fazendo sair uma pequena aranha, que olhava diretamente para Emily e Mary. Quando saiu, Ralph rapidamente fechou a jarra e observara as meninas fazerem o feitiço.
                – Patent portae inferi, et aranea vixit. Patent portae inferi, et aranea vixit. Patent portae inferi, et aranea vixit.
                Ainda repetindo as palavras, podia se ouvir “gritos” da aranha, e logo morrera ali, segundos depois desaparecendo como um pó.
                – Prontas para mais uma?
                – Sim – responderam Mary e Emily confiantes.
                A poucos passos dali, Ana saia enfurecida da casa com James seguindo-a.
                – Ana! Anabelle! Pare aí, me deixe conversar com você.
                Ana parou e se virou, cruzando os braços.
                – O que vai me dizer? Que elas não correm perigo? Você mesmo me disse que ele pode entrar nelas também!
                – É apenas uma pequena chance! Ele vai estar visível, as meninas vão estar preparadas. – ele se aproximara de Ana – E sua irmã vai estar salva.
                – Michelle. Se ela realmente possui magia negra... – sem terminar sua frase, Ana saíra correndo para sua casa, a dez passos dali, ainda sendo seguida por James.
                – Michelle! – gritou Ana indo para o quarto de sua irmã – Miche! – abriu a porta do quarto. Lá estava sua irmãzinha com a babá, brincando de boneca sozinha.
                – Ah, graças a Deus Srta. Charlotte! Sua irmã tem andado extremamente estranha. Eu fui lá a baixo pegar alguma coisa para ela beber, ouvi-a gritando, sabe, quando sempre fica com raiva, e voltei...o vidro estava quebrado – a mulher, com medo, apontou para a janela quebrada.
                – Tudo bem, Marta, tudo bem. Feche a cortina, certo? Vou chamar alguém que possa concertar isso. Leve Michelle para meu quarto, e leve todos seus brinquedos.
                – Certo. – Marta primeiramente hesitou, e então pegou Michelle e sua casinha de bonecas, levando para o quarto de Anabelle e voltando para pegar outros brinquedos. Quando finalmente fechou a porta do quarto de Ana, James disse:
                – Quer que eu concerte? – disse ele olhando sorridente para Ana
                Ela retribuiu o sorriso
                – James...Marta não é uma bruxa. E eu sei que pessoas normais não podem aprender sobre bruxos, já vi muitos seriados e filmes.
                – Certo...então vamos fazer do jeito normal. Me de suas ferramentas.
                – Sério? – disse Ana ainda sorrindo.
                – Sim. Eu não sou só um bruxo, esta bem? – ele riu.
                Ana foi, então, no sótão, até claro. Onde havia muitas janelas e a luz do sol penetrava no lugar. Anabelle procurou as ferramentas, não tendo certeza onde estaria. Finalmente as achou entre caixas de papelão vazias. Involuntariamente, olhou para a janela e viu nela alguma coisa que não parecia humana...parecia um demônio. Gritando, se virou rapidamente, mas nada havia lá. Parou de gritar, surpreendida pelo rápido aparecimento de James.
                – Ana? Ana? Esta bem? – disse ele apressando-se em chegar perto da menina – O que houve? Tem algum machucado? O que foi?
                – Eu vi...o demônio, ali – disse a menina apontando para o vazio – Eu juro James. Ele estava me encarando, eu me virei e ele sumiu. Eu juro.
                – Tudo bem, você está bem agora... – e delicadamente pegou sua mão.
                Os dois se olhavam, Ana aparentemente com medo, James confortando-a. Iam se aproximando...aproximando...
                Ana se afastara, antes de fechar os olhos, largou as ferramentas na mão de James e descera correndo para o quarto de Michelle.
                James aparecera com as ferramentas. Olhava Anabelle indiferente, ainda sorrindo. Ela retribuíra, aparentemente, iriam fingir que nada aconteceu.
               
                Na casa de Emily, as coisas iam bem melhores. As meninas haviam perdido o medo e só faltavam três aranhas, uma maior que a outra.
                – Não podemos parar? Eu estou cansada. – disse Mary suspirando.
                – É, eu também... – disse Emily indo se sentar na cama de casal.
                – Ok. Vamos parar um pouco. – disse Ralph, deitando no chão.
                – Alguém aí quer alguma coisa para beber?
                – Suco – responderam Mary e Ralph juntos.
                – O.k...eu vou lá pegar, já volto.
                – Eu te ajudo... – disse Ralph levantando-se e indo atrás de Emily.
                – Pombinhos, pombinhos. – disse Mary rindo quando fecharam a porta.
                Mal passaram dois segundos quando James e Anabelle apareceram no quarto.
                – Mais pombinhos. Onde estavam? – disse Mary sorrindo maliciosamente para eles
                – Concertando a janela do quarto da minha irmã. Precisamos agir logo se quisermos matar o demônio – disse Ana sentando do lado de Mary
                – Sua irmã quebrou a janela? – disse Maryane levantando-se assustada
                – Sim, alguma coisa a deixou irritada. – Emily e Ralph haviam entrado – Ela tem mesmo magia negra.
                – Sua irmã? – disse Emily quase jogando os copos no chão
                Ana olhou para a jarra de aranhas
                – Uau, só restam três?
                – É, demos um tempo. – disse Emily dando suco de limão para todos.
                – E a Michelle? Como vai ser para tirar a magia negra dela?
                – Temos que matar o demônio. Isso vai fazer com que toda a magia volte para onde começou. Ana. – respondeu James deixando o suco de lado.
                – E temos que agir rápido, se tiver que trancar a magia de Michelle a magia vai pertencer somente a ela e Ana perdera os dela. – acrescentou Ralph
                – Eu não estou preocupada com a minha magia, só não quero que ela tenha magia negra, só isso. – disse Ana, bebendo o suco.
                – Ela é muito nova... –começou Mary
                Antes de continuar, deparou-se com uma Anabelle desmaiada no chão derrubando o copo que segurava.
                – Ana? ANA! – gritou James dirigindo-se a garota. – Acorda! Anda! – e sabendo que seria em vão, colocou a mão em seu peito direito, fechou os olhos e falou baixas palavras, fechando os olhos. Repetiu-as pelo menos cinco vezes, e Anabelle acordara – Ana? Como está?
                Ralph pegou o copo da garota e cheirou-o, tossindo logo em seguida.
                – Antídoto contra bruxos. Oléru. Sim, um nome muito estranho.
                – Isso mata bruxos? – perguntou Emily cheirando seu copo e tossindo também.
                – Não, depende de como ingere. Se for naturalmente, sim, mata. Quem colocou isso? – perguntou Ralph observando James colocar Anabelle em seu colo.
                – Quando fomos pegar o açúcar, e deixamos os copos de lado...não deve ter sido isso?
                – Provavelmente. Anabelle – o garoto se virou para a menina – desculpe-me.
                – Tudo bem – disse a garota com voz fraca, se apoiando no colo de James.
                – O que está fazendo aí? – disse James ao Ralph com raiva – Vá pegar alguma coisa para ela melhorar!
                Ralph também ficara com raiva, mas olhando para Anabelle e seu estado, saíra do quarto.
                – Você vai melhorar, ta bem? – disse James acariciando Ana que quase dormia.
                – Mary, é melhor irmos matar aquelas três ultimas aranhas.
                Sem comentar, Maryane e Emily foram ao centro do quarto, e sem medo, tiraram uma aranha, a menor que restara, e começaram a fazer o feitiço.
                – Aqui – Ralph entrara no quarto com um copo d’água, ou isso que parecia. – Eu coloquei a poção de cura rápida para o antídoto, James – falou depois de observar a cara do amigo. – Não é só água.
                Ralph então se agachara em frente á Anabelle esperando-a levantar. James a ajudara a levantar-se. A menina tomou forças e bebeu até a última gota do copo.
                – Tem alguma coisa muito estranha. Quem entrou aqui? – perguntou James – Nada mais é seguro?
                – Matamos todas! – exclamaram Mary e Emily pulando pelo quarto.
                – Já estamos prontos para o demônio! – disse Ana levantando-se. – Vamos buscá-lo.
                A garota fez menção de ir, mas Ralph a segurou.
                – Anabelle, ainda não está segura. Vai precisar se acalmar primeiro, depois elas ainda tem que matar coisas maiores. O demônio é grande, Ana.
                – Eu vou ver como minha irmã está.
                – Vou com você – disse James a seguindo. – Precisa estar segura – acrescentou quando viu sua cara.
                – Agora vamos tentar matar a succa-maleum. É muito fácil de achar, esta é falsa, a verdadeira está em outro lugar que depois conjugarei para cá. – disse Ralph – Prontas?              – Sim! – as duas responderam.
                A porta do quarto se fechou. Fora James que ia atrás de Anabelle.
                – Ana! Espere! – o menino gritou correndo atrás de Ana, que já estava bem à frente.
                Finalmente havia alcançado-a, em sua casa. No segundo andar, uma mulher gritava e uma menina pequena chorava. Subiram as escadas correndo, e lá estava um homem um tanto alto, que se virou para Anabelle e James. Olhos azuis, moreno, com uma pequena barba, e uma boca pequena.
                – Jack. O que faz aqui? – disse James se colocando a frente de Anabelle.
                – Salvando a vida delas, obrigado. – respondeu o homem com desprezo.
                – Ele é um bruxo também? – sussurrou Ana para James
                – Vampiro. – ele respondeu sem olhar para a menina.
                – Eu posso deixar isso com vocês agora. – e, parecendo um vulto, o Jack que estava na porta do quarto de Ana agora estava na frente de James, olhando para Ana. – É um prazer conhecê-la, madame Charlotte. – e agora, andando normalmente, saíra da casa de Ana.
                James correu até o quarto, Marta e Michelle já não gritavam mais, estavam apenas juntas, e algumas gotas de sangue pelo chão.
                – O que ele fez? – perguntou Ana se agachando a frente de Marta e Michelle
                – Havia uma criatura horrível ali, parecia uma aranha gigante...ele bebeu o sangue dela.
                James rapidamente fez menção para Anabelle tirar sua irmã dali, e foi obedecido. Sentou-se a frente de Marta, e colocou suas mãos em sua cabeça:
                – Obliviscere.
                De repente, a mulher com o rosto de medo, parecia agora confusa. James tirara suas mãos de sua cabeça.
                – O que eu estou fazendo aqui? – perguntou ela olhando para o menino – Cadê a Srta. Charlotte e sua irmã Michelle?
                – Ana! Volte aqui!
                Em um piscar de olhos Anabelle aparecera com Michelle no colo, dormindo.
                – Srta. Charlotte! – disse Marta levantando-se – Não sei o que houve aqui, um momento sua irmã estava brincando e em outro aconteceu tudo isso...
                – Tudo bem...Marta, dispensada por hoje. Pode ir para sua casa, eu tomarei conta da minha irmã – respondeu Anabelle sorrindo gentilmente para a mulher
                – Muito obrigada, Srta. Charlotte! – a mulher, nervosa, foi embora.
                Alguns minutos depois, quando Marta havia ido embora, alguma coisa extremamente estranha havia acontecido. Michelle, que estava brincando em sua casinha de bonecas, começou a gritar e chorar, parecendo de dor, e sangue, de lugar nenhum, começou a pingar pelo quarto.