terça-feira, 8 de novembro de 2011

Capitulo 4 - De volta para o início.

Ana, mesmo morrendo de dor, pulou da janela observando a silhueta do demônio, iluminado por apenas algumas luzes da rua. Podia se observar a menina no seu colo que agora, inconsciente, balançava de lá para cá.
Não demorou a que pudesse se ouvir novos pulos da janela, perseguindo Ana, que já estava bem adiante. Primeiro, segundo, terceiro, quarto pulo. James, Emily, Mary e Ralph já haviam pulado e agora perseguiam Ana que perseguia sem medo o demônio.
– Belle, me salve desse monstro horrível! – gritou a voz de Michelle vinda da boca do demônio. Era tão real.
Cadent in terram. – uma voz vinda da escuridão, desconhecida, falara essas palavras e segundos depois o monstro caíra no chão. Quem via de longe poderia achar que havia uma pedra invisível no caminho em que corriam.
Ana não tardou. Nervosa, a menina correra até o monstro que ainda estava se levantando.
Inesperadamente, a mão – ou o que parecia ser a mão – do monstro pegou o braço da pequena Michelle ainda inconsciente e, segundos depois, desaparecera dali mostrando um sorriso maligno para todos que o observavam.
Aquilo que havia feito o monstro cair no chão fugira tão depressa que tudo que se pode ouvir eram seus passos correndo. Ninguém notara quem era.
– O que eu faço agora? – disse Anabelle, desabando no chão. – Ele levou minha irmã.
– Ele não vai fazer nada com ela enquanto souber que ela é sua isca. É você que ele quer Ana. – disse Ralph agachando-se ao lado da menina. – Não sua irmã.
– Ele pode maltratar ela, não pode? Eu preciso achar ela, eu preciso. – disse a garota, desconsolada.
Mary, Emily e James agacharam-se também, formando, então, uma roda em volta de Anabelle.
                – Nós vamos achar ela Belle, eu prometo. – disse James, com piedade em seu olhar. – Vem...vamos voltar para a sua casa.
            – Não...ela vai voltar, eu tenho que esperar ela aqui. Não posso ir... – respondeu a garota, com uma voz sonolenta, cansada.
            – O que está acontecendo? Por que ela ta tão cansada? – perguntou Mary olhando para todos.           
            – Provavelmente...Miche está usando os poderes dela, para alguma coisa muito forte. Ana! Ana! – disse o garoto, observando que a garota dormira. – Precisa manter-se acordada, ver se acha alguma pista de sua irmã.
            Ana abriu os olhos, continuava sonolenta.
            – Uma floresta. – falou a menina. Parecia citar o que via a sua frente. – Ali está o monstro, na floresta. Uma floresta perto daqui. Aquele bruxo que fez o monstro cair...ele...está na floresta... – a menina foi perdendo a voz – tem um círculo de fogo...
            Ralph pegou a menina no colo e foi o primeiro a seguir para a floresta. James o parou.        
            – Não podemos levar a Ana! E se ele fizer alguma coisa com ela?           Está fraca demais até para andar!
            – Se alguma magia acontecer com a Miche, a Ana vai ser a única capaz de desfazer isso e você sabe! Temos que levar ela.
            James bufou. Obviamente não achava uma boa ideia, mas sabia que o amigo estava certo quanto á magia. Ralph observara que ganhara a discussão e continuou seu caminho para a floresta. Emily e Mary, de mãos dadas, pareciam fazer algum ritual, alguma coisa que transmitia energia de uma para outra, fazendo ambas fortes.
            Já estava meio caminho quando puderam ouvir, até de longe, gritos de uma menininha de dois anos perdida, assustada, com medo.
            Sem pensar duas vezes, seguiram o rumo da origem do grito, Ralph segurando Anabelle – que ainda sim dormia –, James ao lado deles, observando Ana e Emily e Mary logo atrás, olhando para todos os lados, de mãos dadas.
            Finalmente chegaram. Um círculo formado por tochas, todas acesas com um fogo incrivelmente bonito dava luz ao local. Michelle se encontrava ali, parada, parecia hipnotizada. Olhou para os dois lados e percebeu a chegada do grupo, e então voltou sua cabeça para frente, indiferente. O demônio de repente chegara até onde a luz do fogo poderia localizá-lo. Observou a menina para lá e para cá, parecia esperar que alguma coisa acontecesse.
            A menina ergueu a mão para o fogo, ele pareceu se materializar. Alguma criatura apareceu ali, mas foi desmanchando, formando uma verdadeira roda de fogo.
            Anabelle gritou.
            O demônio, que aparentemente não tinha nenhum alvo para mexer com seus medos, seguiu da onde vinha o grito da menina. Ralph correu para o lado, seguido pelo grupo. Teria sido um sucesso, a não ser pelos barulhos que cada passo fazia.
            Agora Michelle gritara. Anabelle acordou repentinamente, parecia que toda sua energia havia voltado, a menina acordou com tal energia que caíra do colo de Ralph, provocando outro barulho. Não tardou a levantar, por mais que estivesse confusa de que lugar era aquele, ou o que estava fazendo ali. Michelle se encontrava, então, deitada no chão. Parecia ter desmaiado.
            – Miche – Anabelle correu em direção ao círculo do fogo, e só parou quando a menina novamente se levantou. Já estava em completa visão, a poucos passos do círculo. O demônio apareceu ali, satisfeito com a isca perfeita.
            – Vamos, Belle, entre no circulo! Salve sua querida irmã – ele possuía a mesma voz de Michelle, aparentemente não possuía voz própria.
            Ralph correu em direção á Ana, seguido por James. Apenas Emily e Mary ficaram ali, paradas. Tramavam algum plano, mas não se podia saber exatamente o que.
            Para a surpresa da maioria, Jack aparecera ali, com a boca sangrando por inteira.
            – Ora, se não é o vampiro salva-vidas. Fiquei sabendo que agora tem atacado humanos, Jack. Duvido que seu irmão fosse gostar – ele possuía uma voz de um rapaz de aparentemente 18 ou 19 anos, mas bem maduro. – se te visse assim, atacando tudo que vê pela frente.
            – Cala a boca, chupa-dedo. – retorquiu o homem, morrendo de raiva.
            – Vamos todos ser calmos aqui, sim? – disse o demônio – Jack, por que se preocupa em salvar a vida dos outros? Já que não salvou a do seu irmão...
            Antes de terminar a frase, Jack já estava em sua frente, e chutou onde, na maioria das pessoas, ficava algo intimo.
            – JACK! – gritou James, que parecia um tanto ocupado. – SAIA DAÍ ANTES QUE ELE SE LEVANTE.
            – Não tenho medo da morte, Jamesinho! – falou o homem, olhando com tanta fúria para o demônio que seu rosto ficara vermelho.
            – Belle! – gritou a voz da irmã mais nova de Anabelle. Dessa vez era realmente a menina. Ela parecia chorar, mas ao em vez de lágrimas, aquilo era sangue.
            Ana, ao perceber isso, correu para o círculo, e apenas parou quando uma enorme parede pareceu se materializar ali, impedindo que Ana atravessasse. A menina recuou e a parede desmoronou.
            – Miche, fique...fique calma. Vamos te tirar daí!
            O demônio levantara, agora possuía nada mais que uma cabeça que queimava, mas sem causar nenhuma dor. Parecia que a fúria era enorme.
            Não tardou que Anabelle entendesse o que aquilo era. Se alguém machucava o demônio, ele ficava duas vezes pior que em seu estado normal. 
            Mary e Emily finalmente saíram das sombras. Pareciam possuídas, estavam tão sérias, como se nada ali acontecesse.
            O demônio hesitou, parecia o único a entender as coisas por ali.
            – Mary? Emily? – disse James confuso.
            Nenhuma delas olhou.
            – Katarine? Jennifer?
            As duas olharam por alguns segundos, e voltaram a direção para o demônio. Agora se aproximavam mais e mais dele, ele com a mesma fúria e cabeça pegando fogo.
            Mary – ou Katarine – apontou a mão para o círculo, sem tirar os olhos do demônio. Segundos depois, se materializou uma porta aberta. Anabelle, sem exigir explicações, entrou no círculo não sendo detida por nada. A porta se fechou. Mary simplesmente parou a magia. Emily – ou Jennifer – colocou a mão no ar, fechou-a e de repente um círculo de fogo prendia todos ali dentro. Ninguém entra ninguém sai.  
            Jack recuava enquanto Mary e Emily se aproximavam do demônio. Parecia que se ele ficasse perto delas, alguma coisa bem feia poderia acontecer. De repente, as duas pararam. Fixaram no demônio, que parecia congelado, com muito medo. O monstro então sentiu sua cabeça explodir, começara a gritar, mudando de voz, era uma coisa extremamente irritante de se ouvir. Ele sofria, estava em seus olhos. Agora os olhos ficavam pretos, o animal todo perdera o “fogo” que havia em si. Sua dor passara, ele se ajoelhara para Mary e Emily, ambas com um olhar de puro desdém e ódio.
            – Não vai ser tão fácil assim, vocês vão ver. – disse o demônio interpretando uma voz masculina que lembrava algum pai tão, mais tão rigoroso que dava ódio só em ouvir sua voz. – e, num ato de rapidez, ele pulara para dentro do círculo. – O que devo fazer com vocês, huh? – disse ele, ainda com a voz rigorosa. – Duas filhas de Charlotte. Devem vir comigo, é claro.
            Ninguém entra ninguém sai. Nem mesmo Katarine ou Jennifer foram capazes de entrar no círculo, era muito tempo para desfazê-lo, e uma vez que a porta já havia se fechado, não havia tempo suficiente. No piscar de olhos, não havia mais nenhuma filha de Charlotte e nenhum monstro. Haviam perdido o alvo, e dado de brinde mais dois para o demônio.

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