– Não...QUE DROGA ANABELLE! – gritou Ralph, sem saber o que fazer.
– Desculpe-me, eu não queria deixar ele lá, ele foi me empurrando até o portal...e-eu não tive escolha! – retorquiu Ana parecendo engolir a raiva que lhe havia subido com tal força.
– E agora, como vai ser? Não posso simplesmente ficar parado aqui vendo o portal se fechar e nenhum James aparecer.
Lentamente, o circulo que uma vez impedira as irmãs Charlotte de chegarem perto de seus amigos agora se desfazia desviando a atenção de todos. Aos poucos, aquela floresta novamente tornara-se um lugar escuro.
Anabelle relembrou: ela restaurara sua magia. Agora poderia fazer com que ali pegasse fogo novamente, mas não sabia como.
– Ana... – disse Mary, sentando-se ao lado da amiga. – Nós...nós trocamos de corpo com elas, mas não sabemos direito quem elas são...mas...nós confiamos nelas...deu tudo certo?
– Elas são Jennifer Ringkong e Katarine Nooky. Eram as amigas de Elisa Charlotte. Grandes amigas. Um trio inseparável. – disse Ralph olhando para o chão.
– Ralph...se acalme, está bem? Nós vimos James, ele está bem. Não vão matá-lo...eles disseram isso para o próprio James. Vão mantê-lo prisioneiro até que as filhas de Charlotte voltem a frequentar aquele lugar – disse Emily agachando-se pelo lado do amigo.
– Não posso simplesmente esperar até que tenhamos outra oportunidade de ir ao inferno. – respondeu o amigo curto, grosso e irônico.
Michelle apareceu em frente á sua irmã. Parecia não compreender nada.
– Como foi que você fez aquilo? Como você fez magia, Miche?
– Não fui eu... –disse a garota inocentemente.
– Como assim? Então...espera, como assim não foi você?
– Foi mamãe.
– O que? Explique-me essa história melhor menina.
“Ouvi mamãe dizer que iríamos dar uma volta, então eu fui, ela disse que já voltava e que era para eu esperar ali. Fiquei esperando ela dizer algumas palavras e depois voltar para mim. Então ela disse que era hora de nós voltarmos.” Explicou a menina calmamente, como se tudo estivesse normal.
Agora, todos retribuíram sua atenção para o circulo que fechava. Ralph não conseguiu aguentar o olhar de saber que o amigo não iria fazer um daqueles atos heróicos de cinema e pular bem no último instante.
– Vem, Ana...precisamos ir pra casa... – disse Ralph estendendo a mão para a menina. Ela mal podia acreditar que o arco havia mesmo se fechado e que James ainda estava lá.
A menina agora lembrara cem por cento que sua irmã de cinco anos permanecia lá, procurando alguma resposta.
Anabelle então deu a mão para Ralph, e estendeu sua mão livre para a irmã caçula que imediatamente pegara sua mão.
– Ei, Ana, quer que vamos dormir na sua casa hoje? – disse Mary com Emily do lado, ambas em pé.
– Não precisa, a mãe de vocês vão se preocupar. Eu vou ficar bem.
As duas acenaram vagarosamente, e então partiram para suas respectivas casas.
– Você se importa se eu for para sua casa? Eu não quero aparecer na casa de James sem o James... – começou Ralph sem jeito.
– Claro...claro. Vamos. – e começaram a trilha para a casa dos Charlotte.
Algum tempo se passou, e nenhum sinal de portal aberto, James Pakene e nem que passagem para o chamado “Inferno”. Anabelle já não dormia direito, e Ralph? Dormia quase que o dia inteiro afim de não ter que pensar que o amigo está lá...mas não adiantava. Ele sonhava todas as noites com uma coisa que não havia acontecido consigo mesmo.
Ele estava a metros distante do chão, acabara de despertar de uma inconsciência que lhe custou. Quando levou sua cabeça para baixo, percebera que estava amarrado em um lugar muito parecido com o inferno. Ele tentava usar qualquer magia...qualquer uma...mas se sentia um humano vazio. Sem poderes e nem nada. Ouvira passos cada vez mais fortes e mais altos e, então, uma criatura que Ralph jamais vira ao vivo, mas sabia exatamente quem era, estava extremamente furiosa com outra menor ao seu lado.
– Kaya, eu lhe pedi para trazer Ralph Hicon também e você me trás o que? Nada! Mando-te numa grande missão e você fracassa! – a voz parecia ainda mais furiosa do que os passos. A filha do demônio parecia se segurar para não estrangular o Gnomo Maligno.
– Ei! – gritou Ralph...
Aquela criatura olhou para Ralph como se só notasse agora a presença do garoto. “Ralph, Ralph! Ralph, Ralph” ela repetia. Sua voz ia diminuindo...cada vez mais fraca.
Ele se encontrava deitado na cama de Anabelle, no que parecia ser uma tarde qualquer com um sol escaldante por trás das cortinas. Olhando mais fixamente, encontrara uma loura com a mão em seu braço aparamentemente preocupada.
– Você está com o coração muito forte Ralph...teve o mesmo sonho novamente?
– Ele foi...maior. – respondeu o garoto sentando-se e finalmente reparando que ali também estava Emily. – A filha do demônio estava a minha procura. Mas era eu que estava lá. E quando gritei a minha voz era a de James.
Ana olhou de Emily, que fez uma expressão preocupante.
– Está na hora de levantar, Ralph. – disse Emily tirando os olhos do garoto na face de Ana. – Você está muito quente.
– Como sabe? – por um momento, havia esquecido que existia magia no mundo.
Anabelle encostou-se a ele, e finalmente o garoto não sentia mais tanto calor. Lembrara-se também que Ana recuperou seus poderes.
– Tudo bem...ta certo...onde está Mary?
– Foi estudar formas de abrir um portal. – disse Emily com severidade, sem olhar para a cara dos dois servindo-se de um copo d’água na cabeceira da cama. Parecia pensativa.
“Nós vamos tentar abrir o portal” disse Anabelle parecendo soltar um sapo da garganta “Eu sei que você não quer nós todas arriscadas e sei também o quanto deseja James de volta mais do que todas nós. Ralph, não vamos voltar atrás.” A garota parou de explicar após perceber que Mary havia chegado.
– Eu achei! Eu achei! – entrou no quarto gritando de excitação. – Ralph, acorda! – e finalmente levou um susto e calou-se.
– Deixe-me ver. – disse Ana decidida. Mary entregou-lhe o livro empoeirado e velho, mas que parecia conter linhas de ouro na capa.
FEITIÇO DO PORTAL (Ostium Apertum)
Este feitiço requer alto nível de treinamento mágico e capacidade mental.
Quaisquer danos causados serão muito prejudiciais e alguns poderão somente ser tratados em um hospital mágico próximo á você. Este feitiço requer Chakra.
Para executar este feitiço, duas ou mais pessoas precisam conjurar um círculo de água. É dali que irão atravessar o portal. Podem passar apenas uma pessoa pelo portal, enquanto duas outras continuam a colocar suas forças no círculo. Enquanto a força de duas ou mais pessoas penetrar no portal, ele permanecerá aberto. O destino será escolhido mentalmente pelas duas ou mais pessoas que pronunciaram o feitiço.
Erros fatais do feitiço: Pronunciação errada (Energia sugada pelo portal)
Destino não existente: (Possivelmente o bruxo ou bruxa irá parar em algum lugar “sem saída”)
Destinos não recomendados:
Inferno (Requer muito mais energia)
Cidade das Criaturas Místicas (Criaturas não gostam de magia)
Laboratório Mágico (Não pode materializar um portal perto ou dentro do estabelecimento por ser um local de extrema importância)
Cidade do Dinheiro*(Portais não autorizados levam á prisão.)
*Não sendo Dinheiro a ser gasto, e sim a grande mansão central da Política Mágica
– Não, não não...vocês não podem fazer isso! É muito perigoso e requer Chakra! – disse Ralph desesperado.
– Nós temos que tentar! E o que é Chakra?
– É o que faz e refaz sua energia. Se acabar seu chakra, você morre. – disse Ralph convencido de que isso iria mudar a opinião das garotas. – Seu chakra é a base da sua energia, sem ele você não repõe energias, seu corpo...desliga.
– Não faz mal. Se é para salvar o James, nós iremos fazer tudo que for preciso.
Ralph sentiu a fúria de James se soubesse disso. Mas o amigo também sentiu sua própria felicidade só de pensar em rever o amigo. E também soube que por mais que James ficasse furioso, ele estaria a salvo.
– Eu só topo se eu puder fazer o feitiço também.
As meninas todas sorriram contentes. Ralph não parara de pensar no amigo e de quanto queria tê-lo de volta.
– Então vamos! – disse Mary acordando Ralph, que parecia pensar em como seria rever James depois de passadas 2 semanas. – Não temos tempo a perder.
E finalmente, todos saíram daquele quarto uma vez escuro. Emily acabara por não querer sair de lá tão cedo afinal, fora ela quem abriu as cortinas e ajeitou a cama.
– Emily, você não vem? – apareceu então Ralph na porta perguntando-se o que a menina ainda fazia ali.
– Eu... – mas fora interrompida.
Um grito ecoou por toda a casa. Emily e Ralph rapidamente desceram as escadas e depararam-se com uma Anabelle inconsciente no chão e uma Maryane desesperada.